| Tubarão Martelo
No último dia 09 de Abril, a equipe da operadora PL Divers e alguns clientes,
encontraram um grande tubarão martelo de cerca de 3m, morto na enseada do
Oratório, no lado de fora da Ilha do Farol. Pelas fotos tiradas pela equipe,
provavelmente trata-se de uma fêmea recém madura de Sphyrna mokarran.
Esta espécie, também conhecida como Great Hammerhead Shark (Grande tubarão
martelo) pode atingir até 6m de comprimento, chegar aos 50 anos de idade e
é a maior espécie de tubarão martelo do mundo, distribuída por todas as águas
tropicais do globo. Estes formidáveis peixes não possuem predadores naturais
após atingir a maturidade sexual (cerca de 3m para as fêmeas), mas mesmo assim
são considerados em perigo pela lista vermelha da IUCN (União Internacional
para Conservação da Natureza).
Suas adaptações como predador de topo são também a fonte de sua vulnerabilidade.
Uma dessas adaptações é a maturação sexual tardia. Se a maioria dos tubarões
costumava viver muito tempo, por que ter pressa em se reproduzir? Seria uma
estratégia mais eficaz, esperar crescer até um grande tamanho corporal, para
poder gerar filhotes maiores, que teriam muito menos predadores em potencial.
Já que estes filhotes costumam ter poucos predadores e uma alta taxa de
sobrevivência, a espécie não precisa ter muitos episódios reprodutivos para
se manter estável. Por isso, esta espécie tem um comportamento vivíparo,
liberando entre 13 e 50 embriões a cada dois anos. Estas características
de maturação sexual tardia e baixa capacidade reprodutiva (a maioria dos
peixes libera milhares de ovos na água) fazem com que os tubarões de modo
geral sejam extremamente sensíveis a qualquer tipo de impacto, notadamente
a pesca. Sim, aquela moqueca de cação que você come ocasionalmente, contribui
substancialmente com o processo de extinção dos tubarões nos oceanos do mundo.
Aparentemente, o animal fotografado não foi morto por pescadores.
Normalmente os pescadores removem suas barbatanas, pois estas
atingem preços exorbitantes no mercado asiático. Se ela não foi
pescada (era uma fêmea), nem era velha demais, porque teria morrido?
Existem duas maneiras de se matar um tubarão: a óbvia (cortar a cabeça
dele com uma faca, como os pescadores fazem seria um exemplo) e a não
óbvia, a qual infelizmente somos todos cúmplices.
Os tubarões de modo geral, são o que chamamos de predadores de topo.
Eles mantêm os ecossistemas estáveis, controlando o tamanho da
população de suas presas e por isso, são considerados um sinal de
“saúde” de um ecossistema. Apenas um ecossistema saudável é capaz
de suprir a demanda por alimento de um predador deste porte.
A simples questão é que praticamente não existem mais ecossistemas
saudáveis no planeta. Nem mesmo os confins mais remotos como o
Arquipélago de São Pedro e São Paulo, apresentam as condições
prístinas de décadas atrás. A fome da humanidade por pescados,
nossa poluição, nosso aquecimento global e as modificações que
fazemos ao construir portos modificaram e continuam modificando
radicalmente o ambiente marinho, fazendo com que cada vez seja
mais difícil encontrar ecossistemas saudáveis, fazendo com que
os predadores não consigam alimento e simplesmente morram. Por isso,
a cada moqueca comida, a cada gota de recurso natural gasta
inconscientemente, estamos contribuindo com a morte de milhares
de tubarões assim como muitos outros organismos. Isso não seria óbvio?
Veja as fotos do tubarão encontrado.
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